Devoto-me aos amores que conheço: os meus. Dentro deles, sinto inevitavelmente tudo que devo sentir. Aqui sou de fato feliz. O tempo é limitado, não preciso de muito. Preciso apenas de doses diárias de qualquer sensação que seja. Abraço-me de dentro para fora. Todas as minhas dobras envergam para dentro. Enferrujei por fora e apareço como uma carcassa mal cuidada. Perdoem-me se não me preocupei com o lado de fora, o que acontece é que se eu descuidar de dentro, desmorono. E aí eu não sei se consigo voltar... Agora, acredito que seja dificil demais desfazer a postura. Teria de trocar peças que não existem, tirar partes que não podem ser tiradas, deixar para trás dores que, hoje, dizem mais de mim do que qualquer sorriso. Pretendo uma vida feliz. Sonho com momentos especiais. Não preciso de fogos de artfício ou grandes espetáculos. Quero coisas simples, sacio-me fácil. Sou uma alma de pouco apetite, mas de grande vontade. Quero mais do que posso ter, pois o que desejo é tão pequeno que só faz falta a mim, então acham que é pirraça. Cada passo que dou nessa vida, e acredite no que eu digo agora, pois não há nada mais sincero em mim, vai na mesma direção. O problema é que eu não sei andar sozinho. Sei aonde quero chegar, só não quero ir lá ainda. Preciso de autorização. Faltam-me aqueles olhos. Não é que eu queira me submeter ou me anular. Porém, não me desculpo pelo atrevimento de dizer que o faria de bom grado, só pela vontade de sentir de verdade o que é ser tocado.
Sabe qual é o meu problema? O meu problema é que eu sempre retorno à essa mesma poltrona vermelha para dizer das mesmas danças, dos mesmos gestos, dos mesmos corpos que eu vejo se distanciarem de mim. Somos amigos aqui, nesse espaço, eu e minha melancolia. Preciso de respostar que ninguém tem para ser estável e é por isso que estou sempre em convulsões. Talvez seja por isso que as imagens de mim são tão borradas. Minhas fotos nunca são belas. Aceito minha dor e gosto de falar dela, até demais. A dor faz tudo parecer mais heróico, mais digno. Porém, não aceito sua dor. Não porque não possa, mas porque não quero. E não é por maldade, é por respeito. Sou o tipo de pessoa que foge de tudo, tenho medo do mundo e de todos e tenho consciência de que corri de você. Não, você não se sente amada. Nunca se sentiu e jamais acreditou em mim. O meu amor é feio, pois nasce de uma alma covarde, que esconde o rosto e vira as costas para quem olha em sua direção. Adimito agora o maior dos meus segredos: tenho tanto medo. Não gosto da rua, não gosto dos olhos, não gosto das mãos... e os quero tanto! Você confundiu minha tristeza fria com indiferença, meu reflexo nervoso com agressividade. Será possível ter fobia de viver? Se você tiver de ir embora, vá! Seja feliz! Não há ironia em minhas palavras, ou suplica. Há resignação, aceitação. Conto meus passos pelas coisas que perdi e vejo meu futuro em dores que virão. Esse sou eu! Não sou de pedra, não sou indiferente, não sou bonito, não sou confiante, falo demais, escrevo demais, repito demais... Trago de volta algo que já disse várias vezes. Estar comigo é doloroso e isso sempre me incomodou mais do que qualquer coisa. Essa é a única maneira de falar de mim que eu conheço, mas conheço inúmeras outras para falar de você, sabe por quê? Você me ensinou a viver. Faz anos que eu sou uma cópia imperfeita sua. Cada passo, cada gesto, cada sorriso, só para ver se consegueria amar igual. Sabe qual é o nosso problema? Eu quero te arrastar para o buraco comigo. Eu já sabia que algum dia você iria me esquecer, eu aceito isso. E repito, não é por maldade, é por respeito. E se não for atrevido demais, por amor. Portanto, se você tiver que me esquecer, esqueça! Vá embora para longe, se isso te fizer feliz. Contanto que eu não seja mais a causa da sua dor. Pode soar egoísta para você, como tudo que eu digo soa, mas não é. Se eu sou apenas esse monstro para você, essa dor tão absurda, me deixe. Mate esse monstro. Pois eu não posso fazer isso, não pego em armas. Não sei lutar. Aceito com resignação cada decisão sua, sentado nessa velha poltrona vermelha, olhando por esse mesmo vidro, sentindo o mesmo medo enorme de que você seja sensata o suficiente de nunca mais olhar para trás e eu termine sozinho, posto que jamais deixarei ninguém chegar tão longe aqui dentro quanto você chegou. Você é o último tesouro que possuo e eu estou mais do que disposto a perdê-lo, desde que você esteja bem e em paz. Para isso deixarei de ostentar com orgulho e inveja esse mínimo estilhaço de porcelana que carrego grosseiramente enfiado em meu peito. Tiro-o agora e estendo-o a você. O que você quer que eu faça?
Postado por Luiz Azevedo
Redescubro que sou um rio, que corre como um milhão de cavalos desesperados em direção à... que? Quero parar essas minhas águas doentes, pois corro cansado. Quero ser sólido, pela primeira vez. Formei-me gelo outro dia e congelado, pensei ter conseguido alguma forma. Porém, vindo o degelo, me desfiz em corredeiras dolorosamente duras e ainda menos sólidas do que jamais foram. Quero ser rocha. Vejo pedras, montanhas, desfiladeiros...estátuas... O amor é assim, como um gigante de diamante. Translúcido e absolutamente sólido. Forte e geométrico, sabe exatamente aonde vai pois se move na medida de sua vontade. Não conhece a tensão, apenas a calma brisa de uma vida tranquila. Não tem pressa, já que a pressa pertence ao tempo e o tempo... o tempo é das águas.
Postado por Luiz Azevedo
Vivendo descobri que o cansaço só pesa para o lado certo, em direção aos abismos tudo é mais leve. Ficar parado é sobreviver e se mover é um risco. Qualquer direção é dolorosa, porém, em algumas há momentos de beleza infinita e amor palpável, intenso. Nunca escolhi um caminho assim. Tenho notícias, lendas, rumores. Por onde ando vejo sonhos como nuvens: distantes, etéreos, às vezes belos, outras vezes tempestuosos, mas sempre vivos. Absorvo-os, vivo-os e alimento-me à distância, depois sigo andando. Nunca toquei nada. Percebo agora que sou eu quem é feito de alguma substância gasosa. De tanto me dobrar para dentro, joguei fora a matéria sólida. Meu corpo e meus instintos se atrofiaram assim que aprendi a fugir. Só sei correr para o lado errado. Gosto de sentir o vento forte, a terra bruta sob os pés, é só o que conheço. Aprendi a imaginar vidas diversas nos contornos sombrios que se formam entre as silhuetas das árvores. O cheiro podre da decomposição já é familiar, fico desconcertado quando ele some. Não sei agir quando há sol. Finjo de morto ou me desespero. Sinto a pele queimar, o rosto se desfigurar e a gordura se desprender de minha enorme barriga, escorrendo pelas pernas. Derreto monstruosamente e consciente disso. Não suporto que me vejam assim, e é assim, apenas, que me vêem. É tudo que sei mostrar, meu único reflexo: irrefreável, involuntário. Às vezes tento, inutilmente, segurar esse meu eu liquido com as mãos, mas escorro por entre dedos temerosos, diluído em lágrimas sutilmente disfarçadas e suor fétido. Quando o sol se põe, volto correndo para as sombras. Congelo. Endureço até não poder me mover mais e quando acho que finalmente aprendi a viver estático, o sangue frio exige calor. Queria ser como essas árvores: fixo, estável, mas principalmente, coerente. Não sou o que deveria ser, e também não sou como não deveria ser. Não pertenço à nenhum lugar, à ninguém. Não faço parte dessa vida e ainda assim, não tenho escolha, não há para onde ir. Não, não, não. Minha vida sempre foi, e desconfio que sempre será, um grande NÃO. Até que eu me conforme e aceite que a resposta para todas as minhas perguntas é a mais óbvia, e é aí que todos as peças se encaixam. Olho com uma inveja destrutiva para o mundo. Destruo o máximo de sonhos e alegrias que consigo. Infecto à todos que consigo alcançar. Passo pela vida como uma doença. Na luta pela sobrevivência, ocupo cada espaço, infiltro-me em cada célula, cada vaso, cada órgão... até o fim. Depois, saio rasgando a pele e ando curvado em busca de um novo hospedeiro. Deixo para trás olhos enjoados, corpos alérgicos e arrepios de repulsa. Sou indesejado e inevitável. Não sei como é para as pessoas a minha existência, no entanto, para mim, é esmagadora. Um verme não escolhe ser um verme, ele é, e à partir de ser, não há mais volta. Depois de nascer, todos temos de lidar com estar presente hoje, nesse lugar, dessa maneira, junto dessas pessoas. Há aqueles que voam leves e graciosos por cima, outros, escorregam pelas frestas e deslizam viscosos por atalhos escondidos. A grande maioria se junta em um estouro de manada e sai passando por cima de tudo no caminho. Amassados uns contra os outros, só lhes é permitido olhar para frente, um só desvio e você é pisoteado. E existem aqueles como eu, parasitas, que existem por acidente. Erros que não se encaixam no grupo dos erros. Ilhas isoladas e tóxicas, de olhos enormes, condenados a viver afogados em um mar de desejos incinerantes, olhando de longe e torturando violentamente tudo que ouse chegar perto demais. Como é impossível se acostumar à dor, o corpo esquece como é ser gentil. O grande mal da vida não é a morte, é não poder escapar de si mesmo.
Postado por Luiz Azevedo
Sentei-me aqui e resolvi relembrar. Faço isso com frequência. Essa poltrona vermelha já ouviu tanto de mim. Conto-lhe o que passa por aquela janela ali, minha querida companheira.Vejo através do vidro basso em mosaicos, pedaços de imagens. Algumas pessoas atravessam por engano a janela e ficam presas aqui comigo durante um tempo, em carne viva, doloridas e cortadas. Esfrego-me em suas feridas excitado, lambendo o sangue de sua genitália, ardendo de prazer enquanto gritam. E enfio meu pau sujo e inchado em seus cortes, infecionando e abrindo ainda mais as feridas. Estupro-lhes até que seus cus estejam largos e as fezes escorram pela perna incontidas. Chupo seus pintos até que gozem sangue, enquanto aperto suas bolas até estourar. Mordo suas vaginas até que pedaços de carne me saiam na boca. Depois, tiro-lhes os cacos, sem anestesia. Sádico, lhes arranco a pele morta e costuro o que resta vagarosamente, que é para olhar as entranhas e vê-los sangrar . Mas, eventualmente, acabam se recuperando e arranjando um jeito de sair. Não me importo tanto assim.
Desaprendi a amar há muito tempo, por falta de prática. As pessoas não merecem amor, são todas hipócritas, eu incluso. Tem gente que passa a vida reclamando, outros criticando, uns ofendendo e ainda tem os que mentem, só para depois dar as mãos à todos os antes odiados e dançar com os primeiros que estenderem a mão. Acho que é isso que buscamos, mãos estendidas para nos puxar da agonia desse eterno afogamento que é a vida real. Um outro alguém, que suavemente lhes toque os lábios com os seus e sopre, tirando-lhes a água negra e amarga dos pulmões, em uma torrente fulminante que os esturrique a traqueia e os tire a voz .
Sou um velho. Grisalho do tempo que não vivi, de mil arrependimentos. A pele enrugada é cheia de dobras nos tantos lugares intocados, que se esticaram para as mãos que passaram longe demais. Banguelo e com a língua podre de maldizer os que vivem bem e felizes. Impotente de tanto gozar sozinho bilhões de sonhos em esperma branco e pálido. De pés tortos e mofados, atrofiados por viver sentado. Entretanto, tenho ouvidos atentos e olhos de águia. Sinto esse mundo inteiro com tanta intensidade que fico paralítico. Tenho um cérebro vivo, cujo corpo não responde. Tenho uma voz alta, potente, aguda e vibrante, soterrada em uma garganta fechada e curta demais para produzir som.
Do lado de fora do vidro, há um grande teatro. De vez em quando, todos temos de participar de alguma peça. Arrasto-me até lá e tento achar pessoas que estejam dispostas a contracenar. E quero tanto acreditar. Entrego-me de corpo e alma à obra, sinto cada palavra que digo, sou cada sorriso e cada lágrima derramada, existo ali naquele personagem e esqueço que tenho de voltar. Só para depois descobrir que todos seguem um script e nada dito ali é de verdade. Acreditei que 'sempre' era sempre. Que 'ninguém' era ninguém. Que há coisas que nunca mudam. Mas tudo muda. As pessoas mudam e o que você tem a oferecer, as vezes, não é suficiente. E eu não fui diferente.
Tive o prazer de uma longa companhia que se foi. Pude observar longa e duramente enquanto nos afastávamos cada vez mais. Enquanto cada um escolhia um caminho e seguia por uma direção diferente e incongruente. Já fomos iguais, ah se fomos. Ela também teve o mesmo apetite que eu. Porém, seguimos caminhos diferentes. Eu espero dentro dessa casa. Essas paredes são meu corpo e estou seguro aqui dentro. Ela não quis segurança, quis experimentar. Nunca se contentou com um corpo por vez, queria vários, queria o mundo inteiro. Eu lhe chamava arrogante, ela me chamava medroso. Sou, na verdade, invejoso.
Que bom que nos conhecemos antes então, pois acho que nos odiaríamos agora. Sinto que sempre precisarei de sua companhia, tanto quanto antes, embora ela não seja minha mais. Encontrei ao longo do caminho outras sombras para serem queridas, outros corpos para usar, e eventualmente, compartilhar da minha loucura, mas só cometi o erro de deixar que se aproximassem tanto algumas poucas vezes e há tempos que não permito mais. Cada uma, a seu tempo, foi-se distanciando. Parece-me que todas elas estão me deixando para alcançar suas próprias vidas em lugar onde eu não as possa abusar mais. Fui e sou eternamente dependente, ainda que exija demais. Abuso até matar aqueles que me cercam e é por isso que a minha volta só existem corpos. E memórias. E um amor tão grande e doloroso, insuportavelmente pesado, esmagador. Alguns o aceitam, mas descobrem que não é o que esperavam. E sobram no fim somente eu e essa poltrona, acorrentados para sempre um ao outro, nesse silêncio que sempre volta para me perturbar, nessa solidão que é a única verdade, olhando enquanto pouco a pouco a cortina se fecha.
E no fim, ao que parece, há ainda tanto restante aqui, que acabo imitando você. Não foi por querer e é por isso que não estou triste, pois ainda tenho tudo aquilo que suguei guardado em mim, e é o bastante para sobreviver por enquanto.
E no fim, ao que parece, há ainda tanto restante aqui, que acabo imitando você. Não foi por querer e é por isso que não estou triste, pois ainda tenho tudo aquilo que suguei guardado em mim, e é o bastante para sobreviver por enquanto.
Postado por Luiz Azevedo
Olhei profundamente dentro de seus olhos, não encontrei. Há algum tempo ando reparando que estava descamando, só que eu também estava e acabei não dando importância. Virei o corpo vazio de um lado para o outro, procurando por onde tinha saído. Não encontrei nada: nenhum buraco, corte ou hematoma. Somente as antigas cicatrizes, deixadas para trás. Desapareceu no ar. Melancólico era aquela corpo. Inerte, completamente sem cor contra o chão de madeira. Nem os olhos, nem os cabelos, nem a pele, nem a língua, nem as unhas, nem o vestido, nem os sapatos: nada tinha cor. E não se mexia mais. Antes era uma bailarina absolutamente cansativa, dançava sem parar a mesma música, que cantava incessantemente. Parava para respirar de tempos em tempos, depois retomava. Os dias eram sempre nublados aqui, gostávamos disso, preferiamos assim. Tornei-me acostumado aos dias cinzas e acabei por tentar escurecê-los ainda mais. Ela não. Embora odiasse o sol, gostava das cores. Tentava sair daqui. Chegava até a ponta, até quase cair, mas voltava sempre, quebrada. A porcelana era frágil demais. Remendávamos aqui e ali, costurava com as minhas cordas e ela se entregava à música novamente. Eu, sempre sentado, pesado, preferia não me mover, não me dava conta de que era uma âncora cosida à ela. Rodopiava em volta de mim, me instigando ao movimento, saltando, gritando, aguda e vibrante. Confesso que tive vontade, mas não coragem. E o ciclo continuou. E os dias se escureciam. E eu parei de me importar. Olhei para o outro lado, procurando alguma novidade. Arrastei-me pra longe dela, achei que não iria embora, estaria ali quando voltasse. Agora que voltei, eis como a encontro. Primeiro pensei em traição, ela arrumou um jeito de ir e me deixou para trás, amarrado à essa concha cheia de lembranças, mas vazia de consciência. Porém, investigando melhor, descobri que não foi consciente. A cada volta, a cada respiração, a cada pirueta e salto, ela partia. Pelos poros, pela saliva, pelo suor, sua essência foi-se com o tempo. Não é que ela tenha fugido, é só que, ela esse corpo não era mais seu, e eu não reparei. Agora, ela é adequada para viver no mundo de lá. Ela transcendeu para o lugar onde todos que passam por aqui vão, e eu fiquei. Daqui, consigo enxergar uma silhueta borrada, flashes em negro e vermelho, do lado de lá do vidro. Esforço meus olhos e meus sentidos para entender o que está acontecendo. Enquanto isso, os flashes ficam cada vez mais escassos, e eu, desconfio que nunca mais chegarei a vê-la novamente.
Postado por Luiz Azevedo
Estou triste hoje. Não por mim, mas por uma pessoa muito especial que não merecia o que está passando. Gostaria de poder fazer algo. Eu rezaria, acreditasse. Acredito em pensamento positivo, em esperança. E ficarei torcendo, do fundo da alma, para que tudo dê certo. Não sei muito o que dizer, mas senti que eu deveria escrever algo. Senti que deveria registrar o respeito e a gratidão que sinto tão profundamente. Dizer que eu gosto de pensar que as coisas boas vêm para as pessoas boas, que nada é em vão e que eu quero muito que as coisas se resolvam da melhor maneira. Quero também que esse caminho não seja de tanto sofrimento e que termine bem, de uma forma ou de outra. Dizer que eu também tenho medo e mesmo podendo só imaginar o que se passa no seu coração, eu me sensibilizo e meus pensamentos estão com você. Penso que essa tristeza que se instala nos corações de todos seja uma forma de amor também, uma forma de homenagem e de dizer que você é importante, que você faria muita falta. Então, você não deve esconder a sua doença, deve lutar apenas, e deixar que nós ajudemos suportando nem que seja um pedacinho dela com você. Confiarei que tudo dará certo.
Postado por Luiz Azevedo
Há quanto tempo eu não passo por aqui! Volto de vez em quando, releio alguma coisa, vejo os comentários antigos. Nada mudou. Continuo com os mesmos medos, as mesmas esperanças, os mesmos sonhos, as mesmas fantasias. O mesmo hábito de fazer lista das coisas. Acho que estou começando a me acostumar. As coisas são do jeito que são. Pensar em destino me acalma. Quer dizer que não tem como mudar mesmo, o problema não sou eu. E todos os outros textos falando a mesma coisa. Anos. Pelo menos tenho coerência. Andava pensando que era meio sem personalidade. A paisagem mudou. As pessoas também. Mas ainda continuo na mesma. Será que o problema sou eu mesmo? Continuo esperando alguém fazer as coisas por mim. Tenho medo de fazer e não conseguir. Tenho medo de tanta coisa e fico paralisado. Por que é que todo mundo consegue ter coragem, engolir os sapos e fazer o que tem de ser feito, quando eu consigo apenas gaguejar, esquecer tudo e travar, e as coisas boas passam direto para o próximo da fila. Será que tem remédio para isso? Não consigo olhar nos olhos das pessoas. Não consigo mesmo! As vezes tento, mas me dá um desconforto tão grande que não consigo pensar! Aí olho para outro lugar. Meu corpo rejeita o contato. Converso com as pessoas olhando para o além. Hoje eu falei algo com a professora na sala de aula, no intervalo, e ela citou isso durante o segundo horário da aula. Ela apontou para mim e eu quase morri! Meu coração dispara, a garganta fica seca...um ataque de pânico mesmo! Quando estou aqui pensando sobre as coisas, tudo parece tão possível. Penso em ir lá e falar na frente de todos; em cantar em um palco enorme; enceno mil peças na minha cabeça. Mas se eu não consigo suportar o olhar dos meus próprio amigos. Da minha mãe! Acho que não consigo. Juro que tento lutar contra isso. É só que meu corpo não responde, ele luta contra. Na hora que eu preciso de forças, me vem um medo tão grande, uma fraqueza enorme, daí eu fujo. Quantas vezes eu já disse não para coisas que, na verdade, eu queria gritar "sim, pelo amor de Deus!" por puro impulso do medo de aceitar. A vida anda se tornando desconfortável, enquanto eu assisto o mundo se movendo em volta. Para todo mundo, menos para mim.
Postado por Luiz Azevedo
Sabe que as vezes eu tenho saudade da PUC, mas só por causa das pessoas. Principalmente algumas. Tem gente tão longe agora, e outros que embora estejam perto, não aparecem. Aí eu fico com um nó no peito só de pensar nas nossas risadas, nas andanças até a biblioteca, nas reclamações sobre o curso, nos dias de mau humor, nos trabalhos que SEMPRE davam errado na hora de apresentar... Eu sabia que sentiria falta, mas não imaginei que seria tanta. Mas eu realmente acredito que fomos amigos, não sei se ainda somos, espero que sim pois ainda me sinto assim. Lembro exatamente do primeiro dia que sentamos na praçinha do coréu. Não nos conheçiamos, mas acho que já nos identificamos ali! E daí vieram as matérias, os textos, os Benvenistes e eu achava que tava tudo tenso e chato, mas agora pensando sobre isso, até que a gente dava um jeito de se divertir bastante! Faziamos planos, pensávamos sobre o futuro. Sinto que essa postagem está com cara obtuário de gente morta, que era podre em vida e santo na morte... É só que, eu genuinamente sinto falta de vocês...
Postado por Luiz Azevedo
O fim de tarde estava amarelado, parecia que o mundo estava em sépia. A vida vira deserto de vez enquando. A gente dá uma olhada em volta e se dá conta de que tudo que era tão vivo antes, virou pó. Dunas de areia seca que queimam as solas dos pés, apagam as pegadas e deixam a gente doendo e sozinho. Tudo é igual para todos os lados. E vazio. Dá vontade de deitar e ficar sentindo o sol e o vento batendo no rosto, e ficar imaginando, sonhando acordado. Dá vontade de sorrir. Mas aí passa. Porque não dá para sonhar pra sempre, de vez enquando tem de se abrir os olhos, porque as idéias se acabam e a gente precisa de ajuda para ter inspiração. De vez enquando aparece um cacto, um lagarto, um escorpião, uma cobra. Tudo a mesma coisa. Dá até raiva. A gente tem as mesmas manias, as mesmas aversões, os mesmos pensamentos. Nada é original. Mas todo mundo insiste em achar que é. Só que tudo aqui é amarelo sem graça. Ou beje, que é a mesma coisa com nome chique. Daí, dá preguiça de existir, porque se já aconteceu tudo mesmo, cadê o suspense? Cadê a emoção? Cadê qulquer coisa que valha a pena? Mas aí vem o medo. Se não tiver nada disso, o que é que tem? Tem nada. Nada o que? Nada, só nada. E nada ninguém sabe o que é. Só o que não é. Então, vou dar um jeito de arrumar essa bagunça. Botar cada duna lugar, abraçar os poucos cactos que ainda restam, deixar-me morder, picar, bicar, chifrar, rasgar, triturar e tudo o mais, só porque o barulho do vento é assustador demais.
Postado por Luiz Azevedo
Não, eu não melhorei. E não me perdoei. Ainda não vou para o céu. Também não evoluí. Cada vez mais hipócrita. Quem sabe menos medroso? Acho que descobri um outro caminho. Claro, que ele também não é acessível. Clichê. Continuo por continuar. Sem o que dizer. Pensando demais, agindo de menos. Mais e mais cansado de tudo e de todos. Ainda não achei o botão de f5 da vida. Ou pelo menos o f5 das pessoas. Quem precisa de f5 sou eu. Preciso reiniciar, mas tenho medo de deixar de ser. Sem memórias, ainda somos nós mesmos? Acho que não. Como será não ser? Não quero descobrir. Acho que me importo demais. Não me ensinaram como relaxar. Quero aprender a fechar os olhos e não pensar em quem está olhando de lá. Já me disseram várias vezes que tenho de me importar só comigo mesmo. Mas se até para ser egoísta eu sou ruim...
Postado por Luiz Azevedo
2011: outro ano que entra. Mas esse entra diferente. Não por causa das já tão tradicionais esperanças e promessas renovadas, que todos já sabemos, não passam nem do carnaval. Mas, ao que parece, as coisas estão, para mim pelo menos, desviando para o desconhecido. As portas se abrem e novos caminhos se estendem para além das tantas voltas que já dei por aqui. Isso é bom, mas assusta. E eu, agorafóbico, fico paralisado contemplando as possibilidades. Vontade eu tenho, quero ir, mas tenho medo. É claro que não tenho escolha, tenho de caminhar em frente. Devo isso as pessoas à minha volta que tem muito mais esperança em mim do que eu mesmo. Terei de me acostumar com o novo, e espero que dessa vez tudo dê certo realmente. Acho que em fim me dei conta de que tenho de começar por algum lugar, embora ainda mantanha guardado alguns sonhos impossíveis a serem realizados, talvez um dia. Desenvolvi um sério complexo de idade, o tempo passa rápido demais e não dá para fazer tudo que desejo. Darei um jeito, mas tem certas coisas que não deixarei de fazer mesmo. Enfim, terei de vencer de vez esse medo do mundo e das coisas, e não há outra opção, pois atrás de mim, o mundo inteiro se fechou, não há como voltar. E se eu ficar parado, passam por cima e eu acabo de vez. Não dá, e não quero que dê. Estas são as últimas férias que passarei parado, pois quando o ano realmente começar, terei de crescer.
Postado por Luiz Azevedo
Ele andava bebado pelas ruas, não tinha problemas. Vivia em um mundo sublime de torpor e êxtase. Jamais cogitou sair. Continuava, andarilho rasgado e sujo. Mendigo a sorrir. O sangue qualhava e reagia com todas as substancias. Luzes fortes ofuscavam e riscavam a visão. O tempo parou. O barulho distante, nada encomoda mais. Ninguém, todos sumiram. O mundo é um deserto vibrando sensações, um carnaval de todas as cores, preto e branco. Sombras dançam de um lado para outro, brandindo facas e canivetes. E de repente, tudo é hostil. E converge para o centro. Os sentidos gritam, mas não dói. O mundo inteiro e de tão vasto, não dói. Parece morfina injetada de dentro para fora. Cai no chão e não levanta mais. A boca aberta como se gritasse, mas não gritou. Os olhos abertos como se esperasse, mas ninguém chegou. As mãos apertam a garrafa, mas ela também não o salvou. E na vastidão do desconheçido, na eterna noite negra e sufocante do universo, nenhuma lágrima se derramou. Nenhuma lágrima essa noite.
Postado por Luiz Azevedo
Descobri o clichê da depressão e não saí mais dele. Passei a pensar que o mundo é cinza, que tudo é solidão e que no fim tudo fenece. Vi o mundo através de uma janela embassada, e fiz de tudo para que ela não se limpasse. Arranquei cada folha dos galhos, para que as árvore jamais deixassem de ser um eco de morte e silêncio. Perdi tempo, sugando tudo de bom que havia em volta e batendo no liquidificador com tinta preta. Fiz o ano inteiro de inverno, mesmo os dias mais quentes. E isso não me fez bem. Não me ajudou a escrever, pois só havia ali uma briga constante em qual dia eu seria menor. Existe um mundo inteiro de sonhos aqui dentro, e as vezes eles são dolorosos sim, mas eles são tão coloridos e tão vivos. E eu, morrendo de medo de mostrá-los assim, arranjei um jeito de borrar. Não quero mais me sentir vazio, pois não sou. Não quero mais aumentar dores que não existem, só para ter uma desculpa para não encarar tudo de frente. Cansei de ser alguém que se apaixona por qualquer um, só para ter alguém por quem chorar. Deixarei escorrer todas as camadas de piche, pois é isso que encanta, algo real. Eu sei sorrir. Eu sei ser feliz. Eu sei me divertir com todos. O que eu não sei, é deixar que um dia termine bem, sem que eu tenha de voltar pra casa e arrumar algo triste para contar. Existem pontas soltas ainda, e elas são também um pouquinho doloridas. Mas, elas não são a única coisa aqui dentro. Existe uma rede inteira escondida, só falta eu conseguir puxar. E já passou da hora de começar a tentar.
Postado por Luiz Azevedo
Tive medo. E não foi de mudar, foi de me perder. Eu queria que fosse possível me enfiar nesse mundo de não me importar e sair andando, balançando e seduzindo a todos. Mas, já não sei se é impossível ou se eu quero continuar assim. Me senti mal, me senti triste, tive vontade de voltar correndo e chorando pra casa. Eu realmente tive medo, e olha tem tempos que não choro, mas hoje é impossível. Não quero sair de casa, quero ficar aqui dentro pra sempre. Em silêncio, trancado no banheiro. Queria ligar pra alguém, mas não quero que ninguém aqui me ouça. Eu queria desaparecer. Ai, é drama, eu sei. Mas não foi premeditado. Nunca me senti tão encosto na vida, tão estorvo, pedra, âncora. E tudo isso regado a esperanças, novamente, burras. Não sei se a nova combinação me pegou de surpresa, mas só por hj eu me permiti chorar, sem nenhum som e sozinho, trancado no banheiro e escondido do mundo. Agora eu vou ali sorrir e comer com a família.
Ps: ninguém me contou que chorar doía as costas e o diafragma. o.O
Ps: ninguém me contou que chorar doía as costas e o diafragma. o.O
Postado por Luiz Azevedo
Quando eu vou desistir? Deveria ser proibido se iludir tanto. Será que algum dia meu coração finalmente ficará com cãibra e parará de apontar para as direções mais absurdas que ele encontra? Não quero mais me sentir assim. São hormonios isso? Tem jeito de parar com a produção deles? Preferia não sentir mais nada, seria auto-suficiente e feliz. Fotossintetizante. Tenho medo de tudo e sei que nunca vou parar de ter. Tenho medo do mundo, tenho medo de quem eu sou para o mundo. Acho que se pudessem me ver como eu me vejo, já teriam arranjado um jeito de me despedir. No fim das contas vêem sim. E não param para se importar porque é incomodo. Lamentar é só o que eu sei fazer. E acho q estou melhorando nisso. Pelo menos em alguma coisa estou me tornando útil, colocar para fora tudo de inútil que ninguém se importará em ler. E se sentir sem importância é clichê, mas dói tanto quanto se sentir só. Talvez eu estivesse melhor sendo invisível, assim teria alguma coisa para culpar, além de mim.
Postado por Luiz Azevedo
Estou aprendendo a encarar as coisa de maneira diferente. Coisas que antes me pareciam tão verdadeiras, agora já parecem imaginação e mania de perseguição, o que sempre é bem mais confortável, colocar a culpa no mundo ao invés de assumí-la. Sim, existem problemas ainda. São difíceis de resolver, mas existe solução. Se todo mundo faz, eu também consigo. Eu acho. Talvez não seja tão ruim ser um pouco igual a todo mundo, até porquê todos somos humanos. Esse instinto adolecente de não aceitar ser igual, essa revolta esteriotipáda de dizer que não é igual aos outros, só mostra o quão parecidos somos todos. Cada um tem sua individualidade, sua experiência única, seu ponto de vista. O problema é negar que existem pontos de contato. Existem lugares do senso comum que devem ser visitados, pois nada mais são do que o reflexo da nossa própria experiência. Afinal de contas, vivemos no mesmo mundo, na mesma sociedade, temos experiências semelhantes. O importante é ter uma visão crítica das coisas, não aceitar tudo como nos é apresentado. O que não quer dizer negar a tudo e a todos, numa anarquia sem o menor sentido. É pensar no que de fato é importante para a sua vida, particularmente. Estou aprendendo que o mundo é um lugar cheio de meios-termos e que no fim das contas, não se preocupar com o que os outros pensam é impossível, mas, é possível viver bem tendo coragem para adimitir isso, minimizar os danos e fazer o que te leve mais próximo de um caminho feliz.
Postado por Luiz Azevedo
Então. Estou aprendendo a traduzir minha voz em palavras. Construir um texto em que realmente eu esteja falando. Interessante, pois, cada vez mais me interesso por isso. Inclusive, já estou desenvolvendo um trabalho sobre isso na facú (lê-se: só pensei, não começei ainda). Mas, é interessante perceber quantas vozes circulam em um texto só, se a gente for parar para reparar. Lendo meus textos aí pra trás mesmo, quantos milhões de discursos ideológicos eu mesmo não repeti inúmeras vezes? Quanto do senso comum não falou através dos meus dedos, e eu sofrendo metonímicamente junto com o ;"todo mundo" abstrato? Moral da história: quem se importa? Eu respondo: ninguém. Por isso, falando de coisas mais importantes, estou passando por uma fase analítica. Preciso de psicologia para resolver meus problemas. Sei qual é o problema, já sei qual é o obstáculo, só preciso saber como ultrapassá-lo. Para tanto, preciso de auxílio. Mas, no momento, impossível. Terei de me virar sozinho. Darei um jeito, ou até o fim do ano acabo infartando de vergonha. Uma série de trabalhos e, mais importante ainda (e ai de quem discordar), o recital no fim do ano. Deus, Shiva, Alá, Buda...quem mais? Exu, Oxóssi, Oxalá, não sei para qual deve direcionar o pedido... Não sou muito entendido de religiões, embora ache interessantíssimo. Gente, preciso de ajuda. Enfim, descobri que a pracinha ali de baixo é ponto de promessa de todas as religiões, já vou encaminhar o meu pedido com várias cópias, cada qual pega o seu e manda a conta. Eu pago. Depende. A gente analisa as propostas e vê. Advogado do diabo aceita cliente novo? E esse sou eu, divagando novamente. Eu não consigo fazer um texto com um assunto só, ele sempre sai andando sozinho. Taí, minha voz, voltei no começo. Devo ser assim, cheio de assuntos. Posso encarar isso de duas maneiras: 1-sou foda e ninguém me entende, por isso sou segregado; 2- sou burro e esse tanto de assunto que eu vejo, na verdade, é uma coisa só e eu não reparei. Enfim, não é votação, então não escolha. Apesar de que tem eleição esse fim de semana, então escolha alguém. Todavia (adoro todavia, acho cult), para não dizer que não falei de solidão, continuo solteiro, esperando um principe encantado, revoltado com a vida e parado no mesmo lugar, por burrice completa e mania de sonhar mais alto do que a boa educação permite.
Postado por Luiz Azevedo
Quando vou aprender a não esperar demais? Tenho de me dar conta de quem sou e parar de sonhar alto. Comprarei um espelho e andarei com ele por aí. Bem provável que não dê certo. É que, eu não quero mais acordar todos os dias de manhã e me dar conta de que em todo mundo, no meio de todos os bilhões de pessoas, eu continuo eu. Vão me dizer que a culpa é minha. E é por isso que eu parei de contar. Talvez, seja mesmo. No entanto, eu não sei o que fazer. Todas as vezes que tentei, o único resultado foi: eu, pior do que antes. Não quero conselhos, não quero soluções, não quero receitas. O que eu quero não existe nesse mundo, então, sentarei aqui e esperarei passar. Não tenho mais paciência pra escrever sobre isso, já ficou repetitivo, chato, insosso, quase etéreo. Ainda assim, continua difícil respirar todas as vezes que me sinto dessa maneira.
"Safe behind these windows and these parapets of stone
Gazing at the people down below me
All my life I watch them as I hide up here alone
Hungry for the histories they show me
All my life I memorize their faces
Knowing them as they will never know me
All my life I wonder how it feels to pass a day
Not above them
But part of them..."
"Safe behind these windows and these parapets of stone
Gazing at the people down below me
All my life I watch them as I hide up here alone
Hungry for the histories they show me
All my life I memorize their faces
Knowing them as they will never know me
All my life I wonder how it feels to pass a day
Not above them
But part of them..."
Postado por Luiz Azevedo
Setembro começou frio. Penso nas ávores, elas meio que morrem no inverno. Ficam todas esqueleticas, com aquela aparência triste de quem definhou e lutou até o último minuto, mas não conseguiu resistir. No fim das contas, o frio sempre ganha. Uma hora vem um outono e leva embora todas as suas folhas. Então, vêm um vento gelado, seco, áspero, e você está exposto, completamente nú, completamente vulnerável. Nesse momento, é impossível pensar em primavera. Todas as flores parecem tão distantes, tão impossíveis. Lembrei-me do verão. O verão é um tempo a dois. É o tempo dos amores, do sol, do mar, da vida feliz e dos sorrisos. É um tempo que não se vive, a gente assiste. Assite enquanto todos se afogam em tanta luminosidade, e você ainda preso num inverno cheio de árvores sem folhas. E sem flores. E sem ninguém. Olha sozinho, pelo vidro embaçado da janela, enquanto a vida passa. Abrir a janela é impossível, o vento é forte demais, se tentar, ele te congela inteiro e você se quebra em milhões de pedacinhos. Impossível juntar todos depois, você se perde. Aceitar que nem todos são verão não é fácil. Não ser atrativo lhe força a conviver consigo mesmo por tempo demais. Aí, você, que é um inverno frio, uma árvore seca, uma pedra coberta de gelo... você deseja que alguém veja que, na verdade, você está vivo! Aquelas arvores florecem um dia, acreditem em mim! Daqui a alguns meses, se alguém se der ao trabalho de esperar, elas irão ter folhas. Irão ter flores. Irão ter sonhos. Irão ter vida. Eu terei vida. Dêem-se ao trabalho de olhar. Não deixe que quando o inverno passar, esta seja a única árvore que não conseguiu sobreviver.
Postado por Luiz Azevedo
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